Blog do Emanuel Mattos

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Meus caros amigos de Floripa

1986: Emanuel, Zini, Breno, Jakzam e Pedro no Diário Catarinense

O Paulo Sant’Ana foi pura emoção na sua crônica dominical de Zero Hora em 18 de novembro. Alguns trechos: “(...) neste verão vou ao encontro de um dos meus cinco últimos prazeres: ficar sentado debaixo de um guarda-sol (...) na minha frente uma lâmina de água azul iluminada pelos raios fortes de sol em Florianópolis. Fico ali durante quatro ou cinco horas, as mais felizes da minha vida”.

Lembro bem dessa paixão. De férias, ele foi meu hóspede na casa em que morei no verão de 1986, quando participei do grupo que lançou o Diário Catarinense. Como eu ainda não tinha trazido os móveis, o Sant’Ana passou duas semanas em condições precárias: numa com a mulher, na outra com o filho. Ele dormia no chão, feliz da vida. Hoje possui residência própria no norte da Ilha. Mas não esqueceu dessa época, que recordamos há dias em uma confraria.

Daquele tempo guardo a foto acima, feita em uma das salas do prédio onde ainda hoje é a sede do Diário Catarinense, no bairro Itaguaçu. Foi num sábado. À noite houve uma incrível festa à fantasia num sítio em Massiambu, local desconhecido pela maioria. Tanto que alguns sequer conseguiram encontrá-lo, como foi o caso do Sérgio Bueno. No dia seguinte ríamos dos relatos de quem botou os nativos pra correr ao pedir informações vestindo trajes bizarros.

Na foto, da esquerda para a direita, esse relator (já apelidado de “Sultão” – leia o texto “O Sultão em Tempos Heróicos”, de 9/11) -; Luiz Zini Pires - hoje na Zero Hora – (segurando o suplemento literário com o título “Cervantes”); Breno Maestri, com aviso afixado “O Próximo” (recado à ZH de que viria para o Diário), e Pedro Macedo (auto-intitulado “O Fodão do DC”), tendo atrás dele o escritor aventureiro e editor da Letras Brasileiras, Jakzam Kaiser.

Os cinco fizeram parte da equipe que produziu a quantidade recorde de exatas 50 edições experimentais antes de ser lançado o Diário Catarinense, em maio daquele ano, depois de dois adiamentos. Como pode atestar o diretor industrial Cláudio Sá, um dos pioneiros.

Da festa à fantasia participaram, além dos citados, a Chuchi Silva, Eduardo Tessler, Sílvio Bressan, Paulo Bordin, Sérgio Homrich, Milton Rauber, Francisco Schuster e Éber Borba. Devo ter esquecido a metade. Todos com exóticas produções, comprovadas em fotos.

Há dias enviei um e-mail ao Sílvio Bressan, que vive em São Paulo, pois não tenho nenhuma foto com ele presente. A resposta veio debochada: “Eu estava, mas como um discreto 'Dick Tracy' que não chegou a ser muito notado diante de tantas 'divas' esfuziantes.”

Faço esse registro afetivo porque interrompo alguns dias a postagem a fim de retornar à Ilha de Santa Catarina, onde vivem o Breno e a Chuchi (com os filhos Enzo, Franco e Gianna); o Jakzam e a Tetê (com os filhos Gabriel e Felipe), a Jacqueline Iensen, o Paulo Scarduelli, entre tantos que pretendo rever. Vou como convidado a testemunhar o compromisso amoroso de um casal muito querido.

Na crônica citada no início, Paulo Sant’Ana diz que “o prazer se consagra quando um garçom me traz uma bandeja enorme de grandes camarões frescos, pescados no dia anterior, alho e óleo” (...) na tarde calma e serena da praia (...) onde uma felicidade plena cobre a pele da gente e se derrama sobre a mente e o coração”.

Deixarei as delícias da mesa – e todos os camarões – reservados para as férias do Sant’Ana. Mas não abro mão da tal felicidade.

Ao caminhar na areia recordarei o ano de 1956 quando, de calças curtas e mãos dadas com meu pai, o radialista José Mauro, estive em Balneário Camboriú na campanha de Jorge Lacerda ao governo.

Mas, principalmente, quero rever aquele marzão que circunda as paradisíacas praias de Floripa ao lado dos amigos que permanecem lá e tanto contribuíram para tornar inesquecível aquele ano de 1986.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O Sultão em "Tempos Heróicos"


A Editora Letras Brasileiras resume assim esse livro de Jakzam Kaiser, com uma belíssima capa: “Narrativa ambientada na Porto Alegre dos anos 70-80. Fúria inconseqüente, militância, trabalho, drogas e sexo dominam um cotidiano em que preocupações, comportamentos e o contexto de uma geração são desvendados. Retrato fiel de quem viveu teorias na prática e se entregou a experiências afetivas e políticas que ainda repercutem”.

O livro tem por base o diário que Jakzam manteve nesse período. Anos depois serviu de inspiração para retratar a transição da adolescência ao mundo adulto e da ditadura à democracia. Uma história contada em ritmo de videoclipe

Os personagens reais, alguns hoje bem conhecidos, tiveram os nomes alterados por razões que só vai entender quem comprá-lo na Feira e percorrer as 165 páginas de um livro trepidante.
O Juremir Machado da Silva, que hoje lança "Antes do Túnel, Junto às Palmeiras" (uma história pessoal do Bom Fim) escreve no Correio do Povo que guardou um conselho de Ricardo Carle, a quem dedica seu livro: nunca esconder o passado.

Em homenagem ao Ricardo, abro o jogo: estou em "Tempos Heróicos" como Sultão, apelido que ganhei em Floripa pela forma nada educada de comer com as mãos, na época em que ajudei a criar o Diário Catarinense. Com o Ricardo Carle, inclusive.

E os outros? Quem eram as mulheres sexualmente liberadas? E os guris que jogavam pedras na polícia, atualmente no governo Lula?

Vale a pena tentar decifrá-los. Em último caso, perguntem ao autor.

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